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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Querido, deite-se que hoje eu vou lhe usar!





 Você é machista? Vamos conferir?

-Lugar de mulher é na cozinha?
-Mulher tem que se dar ao respeito?
-Mulher apanha porque quer?
-Mulher oferecida tem que ser abusada mesmo?

Se você respondeu “sim” a todas as perguntas, infelizmente você é machista. Mas calma! Você não é o único, há milhares de pessoas que pensam da mesma maneira (a meu ver, lógico, não é dado científico) e é justamente esse tipo de pensamento que os movimentos feministas visam combater e implantar um novo e verdadeiro, de que homens e mulheres são iguais.

A desigualdade de gêneros no Brasil não foi diminuída, foi mascarada com o passar dos anos, afinal, queimar mulheres em praças públicas por “atitudes suspeitas”, matar mulheres por adultério ou espancar por se recusar a satisfazer o seu homem, são coisas ultrapassadas para o século. Hoje em dia essa sociedade patriarcal ainda atua muito na mente das pessoas, como no Nordeste, por exemplo, onde eu vejo parecer normal considerar a mulher propriedade de seu marido, mas uma propriedade como objeto e não como ser humano.  O título do texto foi proposital, justamente para fazer referência a um personagem de novela que relata como eram os homens de sua época.

Eu acho engraçado certos espantos que presencio, por exemplo: “Um ladrão assaltou aquela loja!” Se fosse mulher seria mais ou menos assim : “Uma mulher assaltou aquela loja, onde o mundo vai parar? Ela deveria ter vergonha...Blá, blá, blá, mi,mi,mi.” Qual a dificuldade de aceitar que somos iguais, ladrão é ladrão oras, sendo homem ou mulher. Eu acredito que a maior dificuldade esteja no ensinamento de que os homens são superiores, me entristece conhecer até mulheres que pensem dessa maneira tão ignorante.

Notoriamente, as mulheres ganharam espaço na sociedade, mesmo assim há limitação. Você pode ser a melhor da sua empresa, mandar e desmandar lá dentro, mas você sempre vai ganhar menos do que o antigo ocupante de seu cargo, que por acaso do destino era um homem. O que mais há para se provar? Não somos boas o suficiente ainda? Somos. Somos ótimas, porém homem não aceita ter uma mulher com poderes iguais aos seus, e eu digo com muito orgulho para esses homens que pensam assim, seus dias estão contados!

Enfim, vamos para a parte boa. Se hoje eu estou aqui escrevendo foi por causa de mulheres como Nísia Floresta (Potiguar, primeira a fazer um jornal para mulheres), Violante Bivar e Velasco (Baiana, primeiro jornal feminista) e Bertha Lutz (Primeira ativista feminista, citando apenas exemplos brasileiros), que com suas ideias de não aceitação a submissão que tanto prejudicava as mulheres, lutaram para que eu pudesse ter direito a estudos, liberdade de expressão e um melhor reconhecimento da sociedade. Tenho como referencia uma historiadora chamada Mary Del Priore, da qual li alguns livros que me fizeram acreditar ainda mais na superação feminina diante de pessoas que não acreditam em suas capacidades. 

Curiosamente, as mulheres precisaram provar que são capazes de gostar de sexo sem serem doentes, é mole?  Isso você encontra no livro Histórias Íntimas, da Mary Del Priore. Essa restrição da mulher ao prazer sexual pode ter sido o fator que levou à grande número de abusos.Estupro é algo recorrente no país, até mesmo o estupro doméstico, onde o homem quer ter relações e sua esposa não quer e ele a obriga porque são casados, como se papel e igreja fossem donos do corpo dela e dessem essa propriedade ao marido, e ai vai virando uma bola de neve, hoje ele te estupra como se não fosse nada, amanhã ele vai te bater por estar irritado, depois vai te trair te chamando de fria e assim por diante... Absurdos que acontecem frequentemente.

Você mulher que está com aquele calor e quer sair de casa de uma maneira mais refrescante, coloca um shortinho jeans curto, uma blusa decotada, além de uma maquiagem para suprir sua necessidade de estar bonita para si mesma, você coloca o pé fora de casa e o vizinho já quebra o pescoço de tanto te olhar, continua a andar e um grupo de rapazes mexe com você (porque normalmente eles só fazem isso em bando.), você senta-se ao lado de um senhor simpático e ele se aproveita de sua velhice para babar em cima de você como cachorro em frente à churrasqueira. Você garota que passa por isso, saiba, isso é uma forma escancarada de abuso, tão escancarada que é considerada normal. Normal para quem?

Não vou ficar dizendo: “Vamos mulheres, vamos lutar! Abaixo o machismo!” Não. Defenderei sempre a ideia de que somos livres de qualquer padrão, seja social ou religioso, padrões que nos limitam em muitos aspectos. Gosto da ideia de militância feminista, mas não estou pronta para liderar qualquer que seja o movimento, ainda me faltam estudos. Curiosamente, vi uma ideia na internet, onde se colocavam cartazes para elevar a autoestima das mulheres em locais público, resolvi fazer o mesmo, colei junto com algumas amigas no banheiro da escola em que fazia curso, cartazes com frases como “Não acredite nas revistas, você é linda” ou” O feminismo é a ideia de que somos iguais”, colei até em uma placa na rua, não obtive resultado, porém me satisfiz como pessoa e nesse momento estou torcendo para que ninguém da direção  da escola leia isso.

Estendi-me demais no texto, acho que ainda há muito que falar sobre o assunto, mas esse foi apenas para apresentar minha linha de raciocínio, pode ser um pouco confusa, mas para mim é normal, que também sou confusa.  Simone Beauvoir uma vez disse “Não se nasce mulher: Torna-se mulher” e é isso que quero fazer da minha vida, me tornar uma mulher independente. “Linda, louca e livre!”

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