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domingo, 9 de outubro de 2011

Onde estão as Árvores???

Não consigo mais sentir a brisa que normalmente sentia todas as manhãs. Não consigo mais ver os pássaros formando ninhos e brincando nos galhos das frondosas árvores nas praças de nossa cidade. Não sinto mais o aconchego da copa e muito menos o abraço amigo das folhas. Cortaram nossas árvores. Destruíram nossa história. Acabaram com o nosso coração.
A sustentabilidade deveria nortear o nosso século, mover nossa economia e criar bases fortes para que as gerações futuras estejam garantidas com recursos naturais. Infelizmente, não é o que vemos acontecer. Mais uma vez os discursos de campanha foram mais fortes que a vontade real de mudança. Mais uma vez o grito dos passarinhos foi calado pelas serras elétricas. O desafio de crescer sem agredir o meio ambiente é uma questão global que cravou suas marcas em nosso município com o corte desenfreado e envenenamento de árvores. A Praça do Triângulo, apesar das importantes mudanças, tornou-se "campo para jogar pelada". A Praça Epifânio Dória está destroçada e tantas outras que não caberiam neste pequeno texto. Resultado disso: o aumento da temperatura no verão e o resfriamento no inverno; aumento do gasto com refrigeração; destruição da biodiversidade; diminuição das áreas de lazer; aumento da reflexão da radiação do sol; aumento de partículas e gases danosos presentes no ar. Além do que, comprovadamente, as árvores auxiliam na recuperação de doentes e possuem efeito restaurador, com mudanças positivas no estado psicológico, no sistema fisiológico (diminui pressão arterial), funcionamento cognitivo e comportamental.
Cada árvore derrubada tem uma história que, vez ou outra, confunde-se com a de nossa cidade. Não importa se elas são antigas ou antiquadas para os padrões atuais. Elas representam a nossa própria natureza como partes da criação do mundo. Necessitamos de árvores tanto quanto elas precisam de nós. Não é derrubando ou envenenando - como o caso do pau-brasil próximo à praça do triângulo - que mostraremos nossa superioridade ou desejo por modernidade. Temos que ser racionais, mas sem deixar de seguir o nosso coração. Como muitas vezes reclamei de nosso ação - me incluo nisso - acredito que tenha chegado o momento de abrirmos mais uma reflexão.
Nesse momento, o que está em jogo não são disputas de grupos políticos, mas, simples e humildemente, a existência de senhoras com respeitáveis anos de vida que precisam ser amparadas pelo braço com tudo que podemos oferecer de proteção e de incentivo para que continuem a seguir sua caminhada. Desta vez, mudarei meu foco e ao invés de apresentar possíveis culpados vou deixar que vocês apresentem. Vamos iniciar o debate?

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