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segunda-feira, 14 de maio de 2012

"Os Vingadores" confirma a crise do Cinema Nacional


Este não está sendo um ano bom para os filmes tupiniquins. Não foi mesmo. Nenhuma estreia ultrapassou ainda a marca de um milhão de espectadores - considerada a meta para se atingir todas as classes sociais. Nem mesmo "Xingu" que gastou rios de dinheiro. Dia desses saiu a notícia de que Fernando Meirelles, diretor de Cidade de Deus, estava desestimulado e abandonou o projeto de filme de "Grandes Sertões: Veredas", clássico de Guimarães Rosa. O cinema está se mantendo mais pela paixão do que pela necessidade.
O cenário audiovisual brasileiro está reduzido à TV. É claro que a produção independente tem uma força maior hoje, mas, sem sombra de dúvida, não existe um mercado pujante. Durante a ditadura várias salas de cinema foram fechadas, as Artes esquecidas e o pensamento censurado. Foi durante esse período negro que tivemos um decrescimento de público, mas ainda com uma produção considerável de bons filmes brasileiros. Com a Nova República o nosso cinema se transforma na fênix: vira cinzas com Fernando Collor e depois ressurge com Itamar e consolida-se com Fernando Henrique Cardoso. Tudo isso num movimento extremamente neoliberal de culto ao mercado.  No Governo Lula poucas mudanças ocorreram, cito apenas o programa Olhar Digital que financia e estimula a produção independente. Durante todo esse período conturbado que repercute nos dias atuais o cinema brasileiro sempre produziu grandes obras. E sempre produzirá. O que venho aqui criticar depois dessa explanação bem sintética e cheia de falhas - adoro isso! - é que a cultura de assistir filmes nacionais inexiste. Não pelo fato dos filmes serem ruins, nem pelo alto preço dos ingressos, mas, sobretudo, pela mentalidade centrada no cinema hollywoodiano. Estamos robotizados demais nessa perspectiva. Não digo que haja uma manipulação da mídia, pois isso não existe. Porém, não posso deixar de apontar a influência dos principais empresários, donos dos Meios de Comunicação de Massa mais abrangentes do país, em cultuar o cinema do Tio Sam. E deixo uma sugestão bem amigável: ao invés de investir na criação de uma identidade nacional da Classe C não seria melhor investir em uma cultura do cinema brasileiro?
Bem, voltando ao assunto... a mostra de força mais impressionante da última temporada foi a estreia de "Os Vingadores". Esse filme bateu recordes históricos de bilheteria e, pasmem, tem gente achando que é o melhor da história. Então, fui conferir e com o que me deparei? Com uma sucessão de diálogos toscos e uma história toda sustentada em um maniqueísmo bobo - luta entre o bem e o mal -, sem nenhum clímax que pudesse me tocar. A única coisa boa foi a direção de Joss Whedon e seus efeitos especiais, além da atuação dos protagonistas. Fora isso, lixo. O roteiro é uma porcaria. Digo três vezes pra isolar: porcaria, porcaria, porcaria. O impressionante é como as pessoas são injustas e deixam de ver, por exemplo, "Eu Receberia As Piores Notícias Dos Seus Lindos Lábios" que está sendo um sucesso de crítica para acompanhar esse filme meia-boca.  É uma ida ao inferno, literalmente.
É bem verdade que a campanha de divulgação de um foi bem mais intensa do que a de outro e vários outros elementos, como o número de salas exibidas, fizeram diferença no resultado. Contudo, nem por isso deve-se dizer que "filme brasileiro não presta". A maioria do que vemos e conhecemos hoje do cinema nacional é vinda da Globo Filmes e, por isso, sua linguagem é muito próxima a de uma novela. Então, a estética fica defasada e sem característica própria de cinema. Garanto a vocês - porque já vi vários e a cada dia vejo mais - que os filmes brasileiros de produtoras independentes são esplendorosos. A Globo Filmes - apesar de ser um importante motor desse mercado cambaleante - não seleciona bons roteiros, nem faz excitantes filmes, mas investe. Isto já é um começo, pelo menos por hoje. O propósito de ter feito este texto foi para despertar em você o desejo pela produção nacional, pois só com o aumento da procura a oferta cresce. Não é assim que Eles jogam? Então vamos dar o troco assistindo, questionando, sensibilizando o nosso meio social.

Segue algumas indicações de filmes nacionais:
Ilha Das Flores (1989) - Jorge Furtado, curta-metragem.
Central do Brasil (1998) - Walter Salles, longa-metragem.
Abril Despedaçado (2002) - Walter Salles, longa-metragem.
Bicho De Sete Cabeças (2001) - Laís Bodanzky, longa-metragem.
Cabra-Cega (2005) - Toni Venturi, longa-metragem.
Cidade De Deus (2002) - Fernando Meirelles, longa-metragem.

Da próxima vez eu indico mais pra vocês! (rimou, eheh)

6 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Existe algumas informações um pouco erradas no texto. O cinema nacional vem em uma crescente onda positiva desde 2002 (Cidade de Deus) para cá. Em 2010 e 2011, batemos recordes de filmes em bilheteria. O ano de 2012 não tem sido tão bom quanto esses dois últimos foram. Até porque, o ano não acabou e as maiores promessas de bilheteria nacional estão no segundo semestre deste ano. Dizer que "O cenário audiovisual brasileiro está reduzido à TV" é um exagero.

    E enquanto a gestão sobre a área, o melhor momento do cinema nacional na retomada foi na gestão de Gilberto Gil como ministro da cultura. Onde a Ancine ganhou corpo, onde leis foram aprovadas a favor do cinema, obrigando os cinemas a exibirem uma cota, onde saímos da retomada e entramos na pós retomada do cinema brasileiro. Seria injusto não citar o Gilberto Gil, considerado o salvador do nosso cinema depois da crise da Era Collor.

    Ahhh, uma noticia boa. 5000 novas salas de cinema vão ser abertas no interior do Brasil. Projeto recém-aprovado.

    Sobre os vingadores: É um filme divertido, e só! Também não gosto dessa onda maniqueísta, onde o vilão tenta conquistar o mundo, é bobo e fútil. Coisa que o Batman de Nolan desconstrói. O coringa como personagem psicológico é sensacional. Achei que depois de filmes como o próprio Batman, Watchmen e V de vingança, o super heróis não mais iriam bater de novo na mesma tecla.

    E as piadas foram o que mais me incomodou. Pretensioso ao extremo. É tanto que ao fim de inúmeras piadas, existia uma pausa nos diálogos de uns 3 a 5 segundos pro público dar risada. (Não posso ser injusto e dizer que 'Spoiler' o Hulk arrebantando o Loki não foi legal).

    Mas enfim, eu me considero um iniciante na pesquisa sobre o cinema nacional. E assisto muito, muito mesmo. Vou colocar aqui a minha lista, além dos já divulgados:

    O Homem que Virou Suco
    O Palhaço
    Apenas o Fim
    Bye Bye Brasil
    Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo
    Ônibus 174
    Jogo de Cena
    Reflexões de um Liquidificador
    Deus e o Diabo na Terra do Sol
    Estômago
    Cinema, Aspirinas e Urubus
    Verônica
    Pixote: A Lei do Mais Fraco
    Loki
    Mutum
    Madame Satã
    Edifício Master
    Batismo de Sangue
    Antes Que o Mundo Acabe
    Anjos do Sol
    Era Uma Vez...
    As Melhores Coisas do Mundo
    Os 3
    2 coelhos
    A Festa da Menina Morta
    Pro Dia Nascer Feliz

    É tantos... que não vou citar todos. Quem quiser dicas é só falar comigo!

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  3. Entendo sua posição e essa é a sua perspectiva, mas o que quero mostrar é que não se tem uma posição de mercado também entre os filmes no Brasil. Quando quase não menciono a década de 2000 é porque realmente não houve importantes mudanças, mas uma consolidação e pós-retomada do cinema nacional com o filme - que muitos citam - Carandiru (2003). A distribuição é, sem dúvida, o principal agente desabonador do cinema nacional. Dos pouco mais de 90 filmes brasileiros do ano passado, a maioria das pessoas não foi assistir a 5 e, segundo dados da ANCINE, houveram filmes que somente uma pessoa ou ninguém foi assistir. Esse é um problema latente de praticamente todos os países do mundo. Querendo ou não é tendo o cinema também como mercado que transformações sociais e, principalmente, culturais acontecem. Só pra confirmar: as três principais leis do audiovisual são de 90 e significativas alterações são de 2000. Não é que Gilberto Gil não representou um avanço, mas que, dentro da minha linha apocalíptica, não considero a fase Lula um divisor de águas. Também não consideraria a fase de 90 não fosse a estupidez da Era Collor. Quando falo de crise me refiro a este ano. Não é que as grandes produções estejam no segundo semestre é que a conjuntura agora realmente está no seu limite e essa opinião começou a ser difundida entre o meio crítico de jornalistas culturais. Também desejo de todo o coração que essa ex-MP 545/2011, depois PLC e agora Lei 12599/2012 consiga alcançar seus objetivos (só retificando o objetivo é a construção de 600 e não 5000 salas). Porém, você realmente acredita que ela funcione plenamente? Eu não preciso exemplificar para mostrar que no Brasil as coisas não acontecem como está na literalidade da lei. Houveram outros movimentos nesse sentido de governadores do nordeste, como do RN e CE, mas que acabou não dando certo porque não investiram em um cultura de ir ao cinema toda semana. A minha visão de mercado pouco tem a ver com uma linha ideológica de direita - que de fato não é! - e mais com uma análise histórica. Considero que a mercantilização, especialmente no cinema, não perderia o seu potencial artístico. Além de que, baratearia o ingresso e as produtoras teriam mais condições de investir nesse segmento. É claro que os campeões de bilheteria seriam os filmes comerciais, mas isso também acontece nos EUA e são graças a eles que as grandes produtores podem investir também em filmes mais artísticos. Realmente devo ter errado ao fazer um texto tão superficial, mas é que estava engasgado de tanto ouvir falar mal do cinema brasileiro. Eu nem preciso falar mais, afinal, vou te ver logo. E aí, a gente vai prosear bastante... ahahah

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  4. Pode ser que sejam iniciais 600 salas, pras cidades com mais de 100 mil habitantes. Mas a ideia é um número bem maior. E não sei como ela vai funcionar.
    E Gilberto Gil é sim considerado um divisor de águas no cinema nacional. Aconselho você a pegar a matéria História do Audiovisual I e Tópicos especiais em Audiovisual.

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  5. Vou ver se faço História do Cinema Brasileiro no Sesc e na UFS tinha pensado nessas disciplinas, mas depois de sua sugestão vou fazer com certeza... ahahah . Só fiz esse texto por causa das aulas de Jornalismo Cultural com Danielle Noronha, ela é freelancer do UOL CINEMA. Quanto às salas, o objetivo da lei são 600 salas nem mais e nem menos. É isso que está no site da ANCINE e é isso que a lei em seu formato atual possibilita. Gilberto Gil é citado por alguns estudiosos outros não. Faz parte, cada linha de pesquisa considera o que acha mais interessante para o todo. É um recorte da verdade nunca um todo. O nosso próprio discurso é assim. Valeu por comentar e quem quiser entrar no debate sinta-se convidado.

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  6. Ninguém quer porcaria naiconal, com dialogos pobres, temas superficiais e histórias para lá de repetitivas. os vingadores serve pelo menso para entreter, o cinema nacional não é nem um e nem outro.é cinema privada, só com mersa.

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