O
cinema para mim é o desafio da sensibilidade. Encontrar-se com outros mundos possíveis,
outros olhares, outras almas. Gosto de fazer essa viagem. Sou daqueles que
olham para a tela e esperam ficar surpreendidos com o que vem por aí. Vejo
filmes poéticos, comerciais, partidários e tantos outros que nomeiam. Aprecio o
produto, mas também o contexto em que foi produzido.
Dia
desses vi o curta-metragem sergipano Liah (2010). Com uma linguagem poética,
ele narra o dia-a-dia de uma cabeleireira em busca de um amor. À primeira
vista, pode parecer clichê – e realmente é –, mas, a imersão proposta por aquelas
imagens tão intimistas e cheias de super closes desestruturam qualquer ideia de
superficialidade. O cotidiano de uma
simples tratadora de cabelos é conduzido para o universo tão complexo do
pensamento humano. É a doce brincadeira que fazemos com as ilusões e os desejos
por algo ou alguém. Mais do que a aparência da belíssima atriz há que se fazer
uma ressalva sobre o objetivo do filme: não me fez amar, mas me apaixonou. Por
isso, digo que estou apaixonado por Liah. Estou e só estou pelo todo do que foi
mostrado. Aquela narração fantasiosa da protagonista, Luana Morkay, foi de uma
fraqueza terrível que, mesmo sendo justificada com o desenvolvimento do filme,
não me trouxe uma perspectiva verossimilhante. A fotografia fria dava uma maior
dramaticidade e, por isso mesmo, foi um dos pontos fortes. Alguns planos foram
mal aproveitados e revelaram um certo amadorismo da direção, composta por Chris
Matos e Gabriel Lyber, mas nada que comprometesse o resultado final.
Sem
dúvida, foi uma obra para ser consumida pela sensibilidade e não pelos olhos.
Por isso que gostei. Esse curta só revela o quanto o cinema sergipano está
avançando e pode crescer. Logo, estarei vendo outros e tomara que possa
elogiar.
Acompanhe:
Acompanhe:
Nenhum comentário:
Postar um comentário