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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Eu me apaixonei por você, Liah


            O cinema para mim é o desafio da sensibilidade. Encontrar-se com outros mundos possíveis, outros olhares, outras almas. Gosto de fazer essa viagem. Sou daqueles que olham para a tela e esperam ficar surpreendidos com o que vem por aí. Vejo filmes poéticos, comerciais, partidários e tantos outros que nomeiam. Aprecio o produto, mas também o contexto em que foi produzido.
Dia desses vi o curta-metragem sergipano Liah (2010). Com uma linguagem poética, ele narra o dia-a-dia de uma cabeleireira em busca de um amor. À primeira vista, pode parecer clichê – e realmente é –, mas, a imersão proposta por aquelas imagens tão intimistas e cheias de super closes desestruturam qualquer ideia de superficialidade.  O cotidiano de uma simples tratadora de cabelos é conduzido para o universo tão complexo do pensamento humano. É a doce brincadeira que fazemos com as ilusões e os desejos por algo ou alguém. Mais do que a aparência da belíssima atriz há que se fazer uma ressalva sobre o objetivo do filme: não me fez amar, mas me apaixonou. Por isso, digo que estou apaixonado por Liah. Estou e só estou pelo todo do que foi mostrado. Aquela narração fantasiosa da protagonista, Luana Morkay, foi de uma fraqueza terrível que, mesmo sendo justificada com o desenvolvimento do filme, não me trouxe uma perspectiva verossimilhante. A fotografia fria dava uma maior dramaticidade e, por isso mesmo, foi um dos pontos fortes. Alguns planos foram mal aproveitados e revelaram um certo amadorismo da direção, composta por Chris Matos e Gabriel Lyber, mas nada que comprometesse o resultado final.
Sem dúvida, foi uma obra para ser consumida pela sensibilidade e não pelos olhos. Por isso que gostei. Esse curta só revela o quanto o cinema sergipano está avançando e pode crescer. Logo, estarei vendo outros e tomara que possa elogiar.


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