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quinta-feira, 20 de março de 2014

Em que século deixamos a humanidade?

Se tu não morres pelo gênero, morrerás pela cor. Se tu não serás feliz na vida, os seus também não serão a sua morte. Os casos de mulheres mortas aumentam a cada dia, mesmo que o século já seja o XXI, a mente ainda é idade média. 

Cláudia Silva Ferreira foi arrastada, de sua casa até a padaria, da padaria até as balas de revólver, das balas até o porta-malas da polícia como se não fosse gente, do porta-malas até o asfalto queimando e dilacerando, do asfalto até o hospital já tarde demais, do hospital para nossas casas e nossas vidas, se não há indignação, não há humanidade.

Uma morte também dolorida é a que o constrangimento traz. O constrangimento de levantar cedo todos os dias para trabalhar e sustentar sua família e com isso ser obrigada a tentativa de abusos e de estupros dentro de ônibus, metrôs e trens lotados. Quantas não se encolheram procurando ainda um pouco de liberdade, a liberdade de saber que seu corpo não pode ser violado sem sua permissão, que ninguém a deve tocá-la como se fosse seu senhor. No dia internacional da mulher, quatro foram executadas em Goiânia. De que importa se tinham ligação ou não com o tráfico, não se justifica, não se julga, não se tira a vida por nada. 

Muitos morrem a cada dia, mulheres morrem a cada hora. Seja da forma que for. O livre arbítrio nos é tomado a força, caminhamos com medo, não há segurança. Policiais são treinados para assistir o povo, mas esquecem de que eles também são seres humanos. Nos corrompem e nos desprezam, somos pó perante os líderes, e , enquanto não houver atitude estaremos presos a essa realidade.

Cláudia Silva e todas as mulheres oprimidas, presente!


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