O município de Poço Verde, como qualquer outro, tem inúmeros problemas que precisam ser discutidos. Como forma de demonstrar a preocupação deste blogue não somente com a crítica, mas também com a solução, fico no dever de demonstrar o meu ponto de vista sobre o que nos falta.
Os grandes teóricos da economia, sociologia e comunicação inverteram o caminho para o desenvolvimento. Se antes a regra era do desenvolvimento para a comunicação, hoje, a regra é: da comunicação para o desenvolvimento. Essa afirmação é sustentada porque é através da comunicação que a visão modernista penetra na sociedade e difunde o conhecimento expandindo, assim, o nosso processo de aprendizado das novas tecnologias e conceitos. No setor da Administração a comunicação é peça fundamental e está, intrinsecamente, ligada à direção. Somos seres naturalmente comunicativos e vivemos assim desde o tempo das cavernas. Sem a comunicação perdemos nossa ligação com o mundo e nos tornamos anônimos e sem perspectiva de interação. Um direito que deveria ser preservado e defendido acaba sendo restringido a uma população que anseia em ser ouvida. A Constituição Federal de 1988 em seu artigo 5º, inciso IV diz que: "É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato". Somos seres pensantes, atuantes e vivemos para ser virtuosos. É da natureza do ser humano ser virtuoso. Por isso, viver em um mundo onde a voz só ecoa para o silêncio é ter impedido o direito inalienável da liberdade de expressão.
Muito mais do que o simples ato de interação social, que acaba sendo imprescindível, temos que a comunicação age também sobre a economia e sobre os nossos preconceitos. Adentra nos nossos devaneios e faz com que iniciemos constantemente uma crise de identidade onde buscamos a socioanálise como forma de compreender as novas dimensões do mundo. A economia é tocada pela assimilação de novos métodos e pela otimização do produto com a lei da oferta e da procura sendo controlada, paralelamente, por nosso conhecimento adquirido com um processo mais global de interação proporcionado pelos meios de comunicação. A sociedade muda e nós, como partes dela, mudamos junto.
Perfurando a superfície seca e artificial de nosso processo de interação social posso, sem medo de errar, afirmar que o nosso grande problema, por hoje, é a falta de comunicação. E para resolver isso é preciso de muitos recursos? Não. Existem leis de incentivo do Ministério das Comunicações que permitem a criação de projetos nesse sentido. Além do que, a estrutura física e a sua manutenção, bem como a de profissionais, não é algo que causa um dispêndio tão grande de dinheiro a ponto de comprometer o Orçamento Anual de Poço Verde. O pensamento que acho o mais sensato e que pode trazer maior retorno para a nossa cidade é o de um Centro de Comunicação. Com um espaço reservado, seria a central de todos os meios. Esse centro comportaria uma rádio, um estúdio para WebTV e uma redação de jornalismo. Tudo isso por uma única e pequena equipe, devido ao tamanho do município. Com um regulamento interno que buscasse a gestão democrática, para não ser coagido por pressões político-partidárias, procuraria fomentar os três pilares centrais do que minha concepção considera ser o melhor: Entretenimento - para promover o prazer social -, Informação - para saciar as necessidades fundamentais de conhecimento - e Harmonização - para dirigir campanhas específicas de conscientização. Faria parte desse centro a manutenção de um site com caráter colaborativo para que todas as pessoas de Poço Verde, mediante um pré-cadastro e assinatura de um termo de ética, participassem com postagens sobre seus pensamentos, anseios, críticas e denúncias. Afinal, vivemos em um país democrático.
Compreendo que a internet ainda não é um Meio de Comunicação de Massa, mas a importância de uma WebTV em conjunto com esse site colaborativo estará precedendo o surto de letramento digital, que atualmente já desponta, e, assim, contribuirá com os caminhos para um futuro promissor. Segundo estimativas da década de 80, a comunicação se expande em um universo de um para vinte. Ou seja, a cada informação recebida por alguém vinte pessoas, possivelmente, também receberiam pela conexão social dessa primeira pessoa. Hoje, esse número é um mistério devido a profusão alcançada pela internet em disseminar qualquer tipo de informação.
Logo, estamos muito atrasados ainda em termos quantitativos e qualitativos de comunicação. Somos apenas um broto que, para germinar saudável, precisa ser regado a partir de agora. O desafio está lançado, somente nos resta novas ideias. Dê a sua.
No desenrolar da caminhada rumo ao desenvolvimento e o progresso, a humanidade pode contar com a mais eficaz de todas as ferramentas para alcançar os seus objetivos: a comunicação.
ResponderExcluirIsso, em parte, explica porque a maiorias das tribos que privilegiava a transmissão oral das informações (a nossa tão conhecida fofoca)levavam vantagem nas disputas entre as demais tribos.
Devo acreditar que o fato de, em nossa município, não vingar a existência perene de nenhum meio de comunicação de massa, se deva á prática tão corriqueira entre nós de falarmos de tudo e de todos, "à boca miuda"?
Adorei o comentário professor. Quem sabe não seja isso mesmo que o senhor disse. Acho que a falta dos MMC, no caso específico da rádio, está encoberto por vários problemas que, me atrevo a dizer, são exclusivamente políticos. Isso vem desde a tão suada concessão pública até o voto de silêncio que estão fazendo. Talvez, esperando para o próximo ano que é eleitoral.
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