Medo. Insegurança. Lágrimas. Fragilidade. O que estará
acontecendo com a tão pequena cidade de Poço Verde? As vozes que soam hoje
estão agonizando, tentando desesperadamente dizer algo. Mas, não são ouvidas;
porque a culpa é de Napoleão Bonaparte. O que fazer quando a xícara cai e
derrama o café no chão? Ir limpar ou esperar para que outros a limpem? O que
fazer para jogar futebol? É preciso que tenham dois times cada um com, no mínimo, onze
jogadores, não?!
A violência é um reflexo de como estamos tratando os
nossos problemas. Quem fecha os olhos para a criminalidade deve-se culpar pelo
estrago. Quem fecha os olhos para o bem-estar deve-se culpar pela depressão.
Quem fecha os olhos para o próximo deve-se culpar por todo o mal que lhe é acometido.
A nossa cidade está vivendo do pânico. O olhar de cada um denota essa sensação.
As cercas elétricas aumentaram, os Boletins de Ocorrência também; mas, mesmo
assim, continuamos indiferentes.
A nossa grande mazela não são as drogas, somos nós
mesmos. Trata-se de uma conjuntura tão complexa que começa no seio da sociedade
e se espalha feito um verme por todo o nosso espaço. O que existe hoje é
criação nossa. A criatura está tentando engolir o criador. Por isso, o primeiro
passo para mudar esse estado é a ação. Precisamos agir! Já passou da hora de
desenvolvermos um processo de politização capaz de discutir abertamente tudo
que nos aflige. Cada um de nós fazendo
sua parte resta-nos somente o nosso principal acusador: o Poder Público. A
Constituição Federal de 1988, em seu artigo 144 diz: “A segurança
pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para
a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio
[...]” e o § 8º do mesmo artigo diz: “Os Municípios poderão constituir guardas
municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme
dispuser a lei.” Com o passar do tempo novas acepções foram sendo
formadas para a interpretação dessas normas. Hoje, não se tem dúvida da
importância não somente do Estado como também do município para a promoção do
bem-estar da população. Se é do Estado o dever de cuidar pela segurança, o município
como o poder mais próximo da população não pode se eximir de sua
responsabilidade. Segundo Paula Miraglia, doutora em Antropologia Social e Diretora Geral do International Centre for the Prevention of Crime no Canadá, a
prefeitura é onde se dá a prestação cotidiana de serviços, é, também, quem
conhece os problemas e conflitos da comunidade de perto e pode, portanto,
solucioná-los com maior agilidade quando estes ainda têm proporções reduzidas.
Ao mesmo tempo, a proximidade com a comunidade agrega outro capital ao poder
municipal: a capacidade de mobilização e articulação da população em geral.
Esse raciocínio apenas confirma o que as pesquisas indicam: o poder do próprio
município é primordial para a solução da violência.
Por fim, todos esses aspectos apresentados ilustram
os principais focos da problemática da segurança em nossa cidade. É fundamental
que, a partir de agora, possamos nos unir para que, além de achar soluções para
a violência, consigamos encontrar saídas plausíveis para as nossas mazelas
sociais. É com esse sopro de esperança que termino este texto perguntando a
cada um de vocês: O que devemos fazer?

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