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domingo, 11 de setembro de 2011

Quebro o meu Voto de Silêncio


Medo. Insegurança. Lágrimas. Fragilidade. O que estará acontecendo com a tão pequena cidade de Poço Verde? As vozes que soam hoje estão agonizando, tentando desesperadamente dizer algo. Mas, não são ouvidas; porque a culpa é de Napoleão Bonaparte. O que fazer quando a xícara cai e derrama o café no chão? Ir limpar ou esperar para que outros a limpem? O que fazer para jogar futebol? É preciso que tenham dois times cada um com, no mínimo, onze jogadores, não?!
A violência é um reflexo de como estamos tratando os nossos problemas. Quem fecha os olhos para a criminalidade deve-se culpar pelo estrago. Quem fecha os olhos para o bem-estar deve-se culpar pela depressão. Quem fecha os olhos para o próximo deve-se culpar por todo o mal que lhe é acometido. A nossa cidade está vivendo do pânico. O olhar de cada um denota essa sensação. As cercas elétricas aumentaram, os Boletins de Ocorrência também; mas, mesmo assim, continuamos indiferentes.
A nossa grande mazela não são as drogas, somos nós mesmos. Trata-se de uma conjuntura tão complexa que começa no seio da sociedade e se espalha feito um verme por todo o nosso espaço. O que existe hoje é criação nossa. A criatura está tentando engolir o criador. Por isso, o primeiro passo para mudar esse estado é a ação. Precisamos agir! Já passou da hora de desenvolvermos um processo de politização capaz de discutir abertamente tudo que nos aflige.  Cada um de nós fazendo sua parte resta-nos somente o nosso principal acusador: o Poder Público. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 144 diz: “A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio [...]” e o § 8º do mesmo artigo diz: “Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.” Com o passar do tempo novas acepções foram sendo formadas para a interpretação dessas normas. Hoje, não se tem dúvida da importância não somente do Estado como também do município para a promoção do bem-estar da população. Se é do Estado o dever de cuidar pela segurança, o município como o poder mais próximo da população não pode se eximir de sua responsabilidade. Segundo Paula Miraglia, doutora em Antropologia Social e Diretora Geral do International Centre for the Prevention of Crime no Canadá, a prefeitura é onde se dá a prestação cotidiana de serviços, é, também, quem conhece os problemas e conflitos da comunidade de perto e pode, portanto, solucioná-los com maior agilidade quando estes ainda têm proporções reduzidas. Ao mesmo tempo, a proximidade com a comunidade agrega outro capital ao poder municipal: a capacidade de mobilização e articulação da população em geral. Esse raciocínio apenas confirma o que as pesquisas indicam: o poder do próprio município é primordial para a solução da violência.
Por fim, todos esses aspectos apresentados ilustram os principais focos da problemática da segurança em nossa cidade. É fundamental que, a partir de agora, possamos nos unir para que, além de achar soluções para a violência, consigamos encontrar saídas plausíveis para as nossas mazelas sociais. É com esse sopro de esperança que termino este texto perguntando a cada um de vocês: O que devemos fazer?

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