Para qualquer iniciante no jornalismo uma regra norteia a
reportagem: a busca pelas três fontes. É dever do jornalista mostrar, no
mínimo, três discursos diferentes e contraditórios. No último domingo, em pleno
horário nobre e no principal jornalístico da emissora - Domingo Espetacular -
não foi isso que se viu. Além de reforçar o uso inadequado de um meio de
comunicação para atacar aos adversários de seu dono, Edir Macedo, não foi ético
e muito menos justo com Valdemiro Santiago as acusações sem defesa.
Esse episódio
remete a outro que, da mesma forma lamentável, aconteceu em novembro do ano
passado quando o mesmo jornalístico "fabricou" uma verdade sobre o
movimento de cair no espírito - muito comum entre os neopentecostais. Na época,
foram 40 minutos de acusações baratas sobre um tema que remete mais a
religiosidade do que o charlatanismo. Do mesmo modo, não foi ouvido o outro
lado. Do mesmo modo, a reportagem foi baseada no blog pessoal de Edir Macedo.
Uma vergonha para quem pratica e acredita num jornalismo de qualidade e com
função social. É bem verdade que as ordens vieram de cima e os repórteres
envolvidos não são culpados pela produção e veiculação de tamanho ataque à
livre manifestação religiosa.
Desta vez, foram
30 minutos de duras acusações. A Record alega que Valdomiro não quis se
pronunciar. Já ele diz que não foi contatado. Em meio a esse impasse fico com a
conclusão de que não importa se ele quis falar ou não. É direito constitucional
optar por não falar sobre assuntos que possam incriminar. A Record deveria ter
pelo menos ouvido o advogado de Valdomiro Santiago. Esse seria o mínimo do
mínimo do aceitável. Até a própria TV Globo que a Record acusa de ter usado um
tempo demasiado para exibir denúncias contra Edir Macedo entrevistou o advogado
da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em sua defesa.
Esse assunto me remete a um clássico do cinema: Cidadão Kane. No
filme, Kane é uma figura controversa que usa do poder dos jornais que comanda,
principalmente o Inquier, para proveito pessoal. Muito Além do Cidadão Kane,
famoso também, é um documentário da BBC de Londres sobre Roberto Marinho, o
império da comunicação que construiu no Brasil e a alienação que proporciona. A
Record detém os direitos de reprodução no Brasil de Muito Além do Cidadão Kane.
Curiosamente, a TV de Edir Macedo está seguindo o caminho que tanto abominou.
Cidadão Kane está mais vivo do que nunca na emissora da Barra Funda e Rosebud
parece que ainda é um mistério.

Quando assisti à reportagem fiquei boquiaberto com a intenção da reportagem. A Igreja Mundial do poder de Deus fundada pelo protagonista da reportagem, o Apostolo Valdemiro Santiago, foi criada logo após a saída do mesmo da IURD, vemos aí uma clara superação do aluno sobre o mestre. A reportagem foi ao ar justo na semana que o site da Revista VEJA publicou uma queda na arrecadação da igreja de Edir Macedo de 150 mil para 50 mil reais por mês(que queda), e também que a Igreja Mundial foi responsável por tirar cerca de 30% dos fieis da Universal. Sendo assim, o proprietário da Record, usou o veiculo de comunicação para atacar Valdemiro, sendo que a própria IURD é tão podre quanto a IMPD.
ResponderExcluirQuanto ao fator jornalístico, ficou claro que a Record, para atender os desejos de seu dono, vem excluindo qualquer regra do bom jornalismo. Além disso, considero as reportagens muito extensas e cansativas, por isso deixei de acompanhar os jornalísticos da emissora. É isso, deixo aqui meus parabéns, mais um vez, a Baruc, pelos seus textos.
Realmente, o motivo para a reportagem tem muito a ver com o que você falou. Mas, acho que está passando alguma coisa em nossas análises. É muito comum em todo jogo de poder o lado político ser uma peça-chave. Não é difícil imaginar hoje a quem eles servem. Não comentei no post porque não tenho provas e a lógica nesse sentido só faz atrapalhar. Obrigado pelo apoio e por sempre estar comentando.
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