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sábado, 17 de março de 2012

Para sempre e sempre Chaves


Década de 70, uma jovem de 14 anos visita a Televisa em busca do estúdio do programa El Chavo del Ocho (Chaves, no Brasil). Seu nome é Guadalupe, sua mãe lhe dera esse nome em homenagem a Virgem de Guadalupe, protetora das Américas e muito popular no México. Ela caminha desorientada pelos corredores. Nunca esteve no setor de produção de uma TV. Tudo era novo e deslumbrante, mas ela estava convicta de que não iria se distrair com qualquer coisa que fosse. Sua missão era encontrar a turma do Chaves. Era para isso que tinha vindo e não iria embora sem vê-los. Com esse pensamento continua, dessa vez a passos firmes, a procura daqueles personagens que considerava serem seus amigos. Finalmente, avistou a entrada da Vila. Que maravilha! – pensou ela. Começou a correr e quando passou pelo portão fez o sinal da cruz. Ficou imóvel por um instante. Olhou em volta e percebeu que tudo aquilo era real: o barril, o triciclo, a bola do Quico, a casa da Bruxa do 71, da Dona Florinda, do Seu Madruga... É... Era um sonho... Depois desse momento, ainda atônita percebeu que não havia ninguém. Nem Chaves, nem Chiquinha, nem Quico e muito menos o querido senhor Madruga. Onde eles estão? Saiu desesperada atrás de alguém, porque a Vila sem eles não era nada. Mas, por mais que procurasse não encontrava nenhum personagem que via na TV. Estava triste. Muito triste. A sua aventura por aqueles corredores só lhe trouxe mais lembranças. Queria ver as peripécias do Chaves, as espertezas da Chiquinha, as trapalhadas de Quico, as bofetadas de Dona Florinda em Seu Madruga. Mas, como se não havia ninguém? Um segurança da Televisa disse que era melhor ela ir embora. Guadalupe concordou. Levantou-se da escada da Vila, onde estava sentada, e foi caminhando desconsolada. Porém, quando já não tinha mais esperanças, ouviu uma voz conhecida dizer: “Isso! Isso! Isso!” Virou-se enxugando as lágrimas e, para sua surpresa, lá estavam eles: Quico com as suas bochechas de buldogue velho, Chiquinha com suas sardas, Seu Madruga com seu jeito ranzinza, Dona Florinda e o professor Girafales trocando olhares de peixe morto, Seu Barriga tentando cobrar o aluguel de Seu Madruga enquanto Dona Clotilde o abraça e Chaves se divertindo com todos eles. Que festa! Foram momentos memoráveis que poderiam ser vividos por qualquer pessoa. Poucos minutos depois, Guadalupe foi embora para que pudessem continuar com a gravação de mais um episódio. Nem preciso descrever a sensação dessa menina, porque imagino que deve ser a mesma da que você está sentindo agora. Gracias Chespirito!

*Esse texto é uma homenagem a Roberto Gómez Bolaños pelos seus 40 anos de carreira.*  

Assista abaixo aos melhores momentos do evento América Celebra a Chespirito (link de Fórum Chaves):


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