Década de 70, uma jovem de 14 anos visita a Televisa
em busca do estúdio do programa El Chavo del Ocho (Chaves, no Brasil). Seu nome
é Guadalupe, sua mãe lhe dera esse nome em homenagem a Virgem de Guadalupe,
protetora das Américas e muito popular no México. Ela caminha desorientada
pelos corredores. Nunca esteve no setor de produção de uma TV. Tudo era novo e
deslumbrante, mas ela estava convicta de que não iria se distrair com qualquer
coisa que fosse. Sua missão era encontrar a turma do Chaves. Era para isso que tinha
vindo e não iria embora sem vê-los. Com esse pensamento continua, dessa vez a
passos firmes, a procura daqueles personagens que considerava serem seus
amigos. Finalmente, avistou a entrada da Vila. Que maravilha! – pensou ela. Começou a correr e quando passou pelo
portão fez o sinal da cruz. Ficou imóvel por um instante. Olhou em volta e
percebeu que tudo aquilo era real: o barril, o triciclo, a bola do Quico, a
casa da Bruxa do 71, da Dona Florinda, do Seu Madruga... É... Era um sonho... Depois
desse momento, ainda atônita percebeu que não havia ninguém. Nem Chaves, nem
Chiquinha, nem Quico e muito menos o querido senhor Madruga. Onde eles estão?
Saiu desesperada atrás de alguém, porque a Vila sem eles não era nada. Mas, por
mais que procurasse não encontrava nenhum personagem que via na TV. Estava
triste. Muito triste. A sua aventura por aqueles corredores só lhe trouxe mais
lembranças. Queria ver as peripécias do Chaves, as espertezas da Chiquinha, as
trapalhadas de Quico, as bofetadas de Dona Florinda em Seu Madruga. Mas, como
se não havia ninguém? Um segurança da Televisa disse que era melhor ela ir
embora. Guadalupe concordou. Levantou-se da escada da Vila, onde estava
sentada, e foi caminhando desconsolada. Porém, quando já não tinha mais
esperanças, ouviu uma voz conhecida dizer: “Isso! Isso! Isso!” Virou-se
enxugando as lágrimas e, para sua surpresa, lá estavam eles: Quico com as suas
bochechas de buldogue velho, Chiquinha com suas sardas, Seu Madruga com seu
jeito ranzinza, Dona Florinda e o professor Girafales trocando olhares de peixe
morto, Seu Barriga tentando cobrar o aluguel de Seu Madruga enquanto Dona
Clotilde o abraça e Chaves se divertindo com todos eles. Que festa! Foram
momentos memoráveis que poderiam ser vividos por qualquer pessoa. Poucos
minutos depois, Guadalupe foi embora para que pudessem continuar com a gravação
de mais um episódio. Nem preciso descrever a sensação dessa menina, porque
imagino que deve ser a mesma da que você está sentindo agora. Gracias
Chespirito!
*Esse texto é uma homenagem a Roberto Gómez Bolaños
pelos seus 40 anos de carreira.*
Assista abaixo aos melhores momentos do evento América Celebra a Chespirito (link de Fórum Chaves):

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