Ouço um barulho. Um barulho envolvente. É barulho de triângulo, de sanfona e de zabumba. Eita zuadinha boa... Junho chegou, mas com essa seca devastadora não vai ter nada, né? É claro que vai. É óbvio que sim. É junho, porra. J-U-N-H-O. Chegou a época de nascerem novos padrinhos e afilhados, novas venturas e desventuras, novos encontros e perdas, amores e vidas. Chegou a hora de pular quadrilha, de transformar o milho numa indústria com vários derivados: mugunzá, pamonha, canjica. É... chegou a hora do nordestino ser nordestino.
Entre tantas comemorações festivas o centenário de um pernambucano de Exu não pode e nem deve passar batido. Esse moço filho de agricultores e que andou por esta terra durante quase 77 anos fez muito pela música e muito mais pelo povo nordestino. Estou falando de Luiz "Lua" Gonzaga do Nascimento, nordestino cabra macho que levou a imagem de um povo tão sofrido aos quatro cantos do Brasil. Em 2012 também é comemorado os 60 anos da música Baião de Dois. Com todos esses pressupostos este seria um ano de muita festa, principalmente, no São João. Porém, não é isso que se desenha. Com o estrago da seca é difícil vislumbrar algo de bom. Fazendo um paralelo com 1947, ano em que foi composta Asa Branca do Gonzagão, parece que as únicas novidades de lá para cá foram a internet e a idolatria ferrenha por um senhor que se acha o Imperador do Brasil. Fora isso só fagulhas de desenvolvimento e bufas ao invés de peidos de véia. Estão reclamando tanto da seca que eu até fiquei com dó dela. Poxa gente, por que só culpar a seca? Por que não culpar também a falta de investimento e criatividade para diversificar o mercado, os meios de produção e o consumo? Por que não culpar também a corrupção ou a falta de alternativas para a cultura? Enfim, por que não culpar o hábito de se importar mais com festas do que com os problemas de nossa comunidade?
Poço Verde não vai ter festa de São João. A culpa é de quem? Decidam. Esse é um ponto. Sou a favor da festa quando se tem capacidade e orçamento para se realizar uma. A seca foi tão séria que o dinheiro do turismo - que seria para realizar essas festas - está sendo reconduzido para cobrir os rombos provocados pela baixa produção agrícola. Se houvesse o São João da Tradição, como tantos conhecem, estaria chovendo de críticos e eu seria um deles. O motivo? A velha política romana do Pão e Circo: usariam a festa para camuflar os problemas. Agora se a seca foi tão severa para a economia é outra história. Isso sim tem a ver com ingerência, mas é um problema estrutural que vem governo após governo. Para que Poço Verde pudesse ser um privilegiado e não sofresse com isso precisaríamos de um Albert Einstein como prefeito por, no mínimo, uns 12 anos. Um dia teremos.
Voltando ao assunto Luiz Gonzaga, vocês já perceberam como o forró pé-de-serra não é mais valorizado? Pouco se ouve e se escuta. Sou a favor da diversificação da música. Acho que tem espaço pra todo mundo desde que seja música boa, por isso, sinto falta daquele barulho que comentei no início dessa postagem e por isso o título. Parece que estamos insaciáveis por novos ritmos cada vez mais misturados. Às vezes, separar é bom. Às vezes, misturar é bom. Diversificar nosso cardápio musical sempre é ótimo, porque nossa cultura se enriquece e nossa mente se abre. Experimentemos coisas novas. Sejam elas novas ou velhas, conservadoras ou liberais, de esquerda ou de direita, do céu ou do inferno. Enquanto refletem, fiquem agora com o hino do nordestino na voz de Luiz Gonzaga no Fantástico (ano ?):

Bom texto e quanto às perguntas algumas melhor deixar sem respostas.
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