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sábado, 16 de junho de 2012

Homenagem ao Rei do Baião

(O texto abaixo foi lido ontem dentro do programa A Tarde é Nossa da rádio Poço Verde FM 104,9)

"A terra seca não deixa passar nada. Nem água, nem chuva, nem amor. Nela ficam as lembranças de uma geração, de uma vida. Hoje, o carcará ainda voa como antes. O mandacaru, mesmo com todo o calor, ainda floresce para esperança daqueles que ainda acreditam em tempos melhores. O sertão mudou: agora têm prédios, indústrias, shoppings. Mas os males da seca ainda são os mesmos: ainda tem gente que é analfabeto, que morre de fome. Se hoje o Brasil se comove com o sofrimento do nordestino mais do que Vidas Secas de Graciliano Ramos e Os Sertões de Euclides da Cunha foi a simplicidade de um cabra de Exu que contou através de versos as alegrias e tristezas de uma terra que todos os cantos do país ecoaram Asa Branca. Luiz Gonzaga do Nascimento, o Lua para Paulo Gracindo ou o Gonzagão para o Brasil, trouxe para a música as marcas de uma vida pela enxada, pelo jegue e pela terra. O som do triângulo, da zabumba e da sanfona anda meio esquecido, mas nada me fará esquecer daquele que criou para o país inteiro a identidade do nordestino. Se isso foi bom ou ruim, eu não sei. Porém, e embargo a voz para dizer: Ai que saudade d'ocê, Luiz Gonzaga."


Reportagem do Jornal Nacional de 1989 sobre a morte de Luiz Gonzaga:


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