"Todo ano, dia 23 de junho às 6 horas da tarde, cumade Chica acende a fogueira. O mugunzá, a pamonha e a canjica já estão prontos. A sua casa está arrumada desde o dia primeiro de junho com bandeirolas. Um pequeno rádio ecoava por toda a residência o forró pé-de-serra de Gonzagão, Dominguinhos, Elba Ramalho. Os vizinhos e parentes começam a chegar. Eita, que calor humano gostoso... o fogão está aceso. Estão preparando milho cozido. Do lado da porta de entrada tem um saco só com espigas de milho. Cumade Chica está dizendo que é pra quando a fogueira virar brasa. Eles vão assar essas espigas lá. O sanfoneiro bate na porta. 'Pode entrar!', grita Dona Gerolina já 'espertinha' por causa do quentão. É uma risaiada só. Começou a festa. Outros vizinhos chegam. O sanfoneiro se apresenta e começa a cantoria com 'Olha pro céu', segue com 'Asa Branca', 'Xote das Meninas', 'Eu só quero um Xodó', 'Bate Coração', 'Ai que saudade de Ocê'... o forró comeu a noite toda. O relógio marcava onze horas. A essa altura, muitos padrinhos e afilhados já tinham se formado, muitas pessoas já tinham brigado e outras se casado. O arraiá durou até às 6 horas da matina. Foi uma festa e tanto. A única preocupação de cumade Chica foi em arrumar a casa. 'Oxente, o povo come, bebe e depois quem sobre é eu!', diz irritada. Também ficou com raiva só agora, porque, após arrumar a casa, ela só estava pensando em como seria o próximo ano. 'Dona Gerolina eu não chamo mais... muié enjoada. Mas no outro São João eu chamo todo mundo da banda. Só um sanfoneiro foi pouco... eita coisa boa.' Assim, o tempo foi passando. Cada São João mais bonito que o outro. A seca dos vários anos que se sucederam não tirou o sorriso do rosto de cumade Chica. E só pra esclarecer: ela nunca deixou de convidar Dona Gerolina. Inté, pessoá."
*O texto acima é fictício e qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.*

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