Na última segunda (28), deu-se início ao período de inscrições para o ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio. Como forma de ajudar nossos jovens leitores a se decidirem quanto a escolha do curso vou fazer agora um breve comentário sobre as virtudes de se sair do mais do mesmo.
"Até bem pouco tempo não sabia o que fazer, estava literalmente perdido. Já tinha conseguido uma vaga na UFS, o período se caminhava para terminar e uma só ideia eu vislumbrava: tenho que trocar de curso. Não me via como jornalista porque, inevitavelmente, seria censurado por um editor, chefe de redação, etc. Então, tranquei o curso por um período e - apesar do que muita gente pensa - foi a melhor coisa que fiz. Tive tempo para pensar, refletir sobre a vida, sugestionar conceitos, estudar para concursos e me envolver em projetos. No período seguinte quando retornei, percebi que tinha nascido para fazer Comunicação. Não porque era algo que eu já tinha na mão, mas por ter percebido que o curso se encaixava em mim como a roupa do Homem-Aranha em Peter Parker. Não adianta se iludir com outras coisas, você só vai dar certo naquilo que é bom. E sabe por quê? Porque enquanto tem muita gente escolhendo o curso que quer fazer por status social você vai estar fazendo porque gosta e isso te dá uma vantagem incomensurável. Você não vai ser só ótimo, vai ser feliz também. O Brasil hoje está importando mão-de-obra. O motivo? A concentração absurda das pessoas em meia dúzia de cursos. Sair desse lugar-comum é mais do que necessário, é fundamental. Por isso, estude bem você mesmo, conheça-se, encontre-se e seja, sem demora, feliz."
Vou partir agora para um convite explícito para a minha área: Comunicação.
Vocês devem estar se perguntando: "Aposto como esse idiota vai falar um monte de besteiras." E vou mesmo. Afinal, tudo hoje é besteira, não é mesmo? E você já se perguntou por que isso? Quem é que está construindo esse universo onde tudo é besteira? Difícil responder... pode ser a gente mesmo ou pode não ser. Só sei que existe um discurso. Um discurso forte o suficiente para atingir desde dezenas de pessoas até centenas de milhões. Esse discurso que faz parte da comunicação - porque é comunicação! - se utiliza de algum meio para propagar a mensagem. Pode ser um Meio de Comunicação de Massa, como a TV, ou um simples face-a-face. Mas, o que ele faz? (Devem estar se perguntando de novo... penso eu.) Ele te influencia. Transforma uma cultura em outra; quase que te obriga a ter determinado gosto; sopra no seu ouvido coisas que você deve pensar: sobre o que deve achar sobre determinado assunto, qual música é boa, qual filme é foda, qual partido é o certo, quem tem a razão e coisas do tipo; além de te trazer para o lugar mais ultrajante da Terra: a passividade. É aqui que você está agora... sentiu a pressão? Não se mova, porque é quase impossível que você faça isso. Pouca gente ou ninguém vai comentar esse post... eu sei porque é o esperado e se comentarem foi porque eu os incitei a fazerem isso. Então, mais uma vez vocês se perguntam: "poxa, eu pensei que ele iria falar bem da comunicação..." Como assim? Você não percebe que estou tecendo elogios para o meu trabalho? Releia o texto e perceba as metáforas que usei, a linguagem que preferi, as vírgulas que coloquei e o encadeamento de ideias que construí. Ainda assim você pensa que eu estou falando mal? Pois bem, vou te explicar... eu estou te mostrando esse outro lado, não é mesmo? Você pode concordar ou discordar do que eu disse, mas eu estou te provocando, jogando você para outro lugar, batendo em sua cabeça com força. Será que não sente? Se eu fiz isso é porque estou promovendo a democracia, a multiplicidade de discursos, a problematização do eu ao invés da idiotização do indivíduo. O mundo não tem só duas faces - o bem e o mal -, mas um número incalculável. Qual face eu estou usando? Ao contrário da educação, que pode transformar a sociedade de médio a longo prazo, a comunicação faz isso num piscar de olhos. Pode ser para qualquer lado, é bem verdade, mas só de estar de um lado já é desvendado o outro. Você discute hoje, porque profissionais dessa área atuam. Pois, como é que vocês ficariam sabendo do que acontece no Afeganistão senão fosse pela Comunicação? Não tenho capacidade e, frise-se, acho que ninguém tem para dizer que esse é um movimento bom ou ruim. Se quiser podem arriscar. Dado tudo isso que falei vocês ainda acham que eu estou falando mal? Pode até ser... ou não. Percebeu? É para isso que existimos.

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